Léo sub50 nos 10km

O texto a seguir é uma obra pessoal do nosso aluno Leonardo Saragiotto*, e tem como principal objetivo mostrar à todos que é possível! Nunca desista de seus sonhos e corra atrás de seus objetivos! Keep Running!
*é aluno desde agosto/2011, completou a primeira prova de 10k em 2011 em 1h 04min.

Correr 10 quilômetros em menos de 50 minutos
Tudo começa num início de ano, normalmente numa segunda-feira. Seja um treino novo, uma dieta nova, um novo objetivo a ser alcançado. A única diferença porém, é que esse ano começou na terça-feira, só isso.

As festas do fim de ano foram boas, mas já tinham ficado pra trás. Assim como a minha dieta e, claro, o condicionamento físico. Agora era olhar pra frente e focar nesse novo objetivo. Tarefa essa nada fácil, o mais próximo que havia chegado desse tempo foi na prova do SESC em outubro de 2011. Ainda assim foram 10 quilômetros em 53:10, muita coisa pra baixar nesse tempo ainda, mas antes disso alguns quilos pra perder também.

O ano tinha acabado de começar e minhas férias tinham recém terminado, cenário perfeito pra uma nova dieta. Corte total em carne vermelha e carne de frango. Proteína animal só de peixe, e olhe lá, 3 a 4 vezes no mês. Estava com 75 quilos, bem acima do peso pros meus 1,64 metros de altura. A dieta agressiva veio pra aniquilar esses quilos extras.

Os treinos começaram com muito Fartlek pra fazer. Treino no qual quem determina o ritmo é o próprio corredor. O Gustavo (coach/treinador) não deu moleza nessa parte. Não me agradava muito esse tipo de treino no começo. Acho que até hoje não me sinto muito a vontade quando vejo ele na planilha. Mas há quase 3 meses ele faz parte dos meus treinos, e tenho que admitir, foram totalmente importantes no desenvolvimento desse projeto.

Juntamente com os treinos de corrida, voltei a fazer academia, atividade pela qual também sou apaixonado. Treinos de perna e alguns treinos de exercícios funcionais fizeram parte do planejamento. Não tanto quanto eu gostaria, mais pelo medo de se machucar do que por falta de vontade.

Vontade também foi um item que não faltou nessa lista. No início dos treinos ela não estava tão presente assim. Porém depois das primeiras semanas, a sensação de que o objetivo estava ao meu alcance, contribuiu para que ela fizesse parte constante dos treinos. Quanto mais perto do objetivo eu parecia estar, mais eu treinava pra alcançá-lo.

O primeiro mês de treino foi difícil. A inércia da época de férias parecia demorar a sair do corpo. Algumas dores, ritmo fraco e falta de folêgo eram constantes nos treinos ou depois deles. Dificilmente realizava algum treino com pace inferior a 5:30 min/km.

Sempre deixei claro ao treinador que gostava de longas distâncias, e ele acabou “brincando” com isso. REGRA: enquanto eu não baixasse dos 70kg não existiriam distâncias maiores do que 10k na minha planilha, e eu levei à sério, me emprenhei ainda mais!

Na metade do segundo mês a coisa já estava mudando. Já não sentia muitas dores e o ritmo já começava a mostrar as primeiras evoluções. Nessa parte começamos a treinar muito coordenação e força, com o objetivo de alargar o tamanho da passada e aumentar a força muscular. A balança já marcava 70 quilos, há 5 anos não chegava a esse peso. Não sei se a evolução veio devido a perda de peso ou se a perda de peso ajudou no ganho de ritmo, mas o importante era manter o foco e baixar mais o tempo e o ponteiro da balança.

Algumas semanas antes da prova os treinos estavam a mil. O pace estava chegando a um nível muito legal, próximo do objetivo. Ainda faltava uns segundos para alcançar a marca, mas a evolução era evidênte. Não queria pensar muito nisso. O medo do excesso de confiança era grande e procurei me manter mais focado e mais disciplinado. Apertei a dieta e apertei o passo.

Os resultados foram melhorando, nada que desse pra dizer “Ah, tá no papo”. A balança já estava na casa dos 68 quilos, peso que se manteve até a prova. A nova avaliação já estava marcada e a sensação de que fiz a coisa certa estava aumentando. A avaliação não aconteceu, problemas técnicos no caminho, mas tudo bem (ela saiu 1 semana após a prova e foi melhor do que o treinador esperava, de 75,1kg em dezembro para 67,6 em abril, com redução de 5% no percentual de gordura).

Na última semana de treinos veio o abalo psicológico. O nervosismo de decepcionar, não chegar no tempo, faltar pulmão, perna, tudo. Foi dificil, parecia que precisava de mais uma semana de treino pra chegar. Algumas dores na perna direita, que custavam a passar, também não contribuiam para que a confiança voltasse.

Para amenizar a deficiência na confiança, tratei de programar a semana toda. Dieta, horas de sono, dias de treino leve, dias de descanso. Dá-lhe macarrão no prato (essa foi a parte boa da semana!). A semana passou voando, já era sábado. No dia seguinte tinha prova, hora da verdade. Tentei dormir cedo, mas a ansiedade não colaborou. Dormi muito mal e muito pouco. Acordei 5 horas da manhã e tomei um lanche leve. Voltei a dormir e consegui relaxar, mesmo que só por uma hora. Levantei com despertador, me vesti e já fui pro
carro.

A largada seria no Jockei Club de Curitiba. Não tinha visto o percurso e nem a altimetria. O pessoal comentava que o percuso era bem plano e que a prova tinha o costume de ser rápida, acreditei. No caminho um pouco de engarrafamento. Seria a maior prova de corrida, em número de corredores, que eu disputava na cidade, quase 5 mil inscritos. O transito perto do local estava uma bagunça. Parei o carro um pouco afastado e fui pro local da largada, encontrar o pessoal. Todos já estavam lá e quase prontos. Vesti a camiseta, prendi o número de peito e fui aquecer. Na sequencia fomos para o funil de largada.

Ia começar, menos de 2 minutos. Largada marcada para as 7:30. Percurso semi-conhecido, tempo bom e a vontade de destruir aumentando. Acho que foi isso que me empurrou forte no começo. O Gustavo iria ao meu lado ditando o ritmo da prova (pacer), eu correria sem meu relógio. Correr sem o relógio pra dar o ritmo já havia sido uma estratégia interessante nos treinos, e foi importantissíma na prova. Dada a largada, sem atrasos, passamos no primeiro tapete de marcação com 30 segundos de prova. Logo nos primeiros metros havia uma curva fechada que passava por baixo do portal de entrada do Jockei, um pouco de aperto nessa parte. Nada que tenha atrapalhado. A experiência do treinador em provas contribuiu para escapar desse tráfego inicial. Já na rua Vitor Ferreira do Amaral pegamos a calçada e aceleramos. O primeiro
quilômetro é sempre o mais dificil, nesse caso não foi excessão. Depois desses primeiros
mil metros o passo ficou mais firme e o pace abaixou, começar melhor impossível.

Depois do terceiro quilômetro começava o trecho de subida da prova. A primeira veio e foi tranquila, ingrime porêm bem curta. Ultrapassamos alguns corredores nesse pedaço. Subimos a 11,5 km/h, muito bom pro ritmo que estavamos. Já haviamos deixado a rua Vitor Ferreira pra trás e iamos pelo meio do bairro. Ruas tranquilas e bem arborizadas, com muita sombra.

Na metade do km 4 começava a pior subida da prova. Não pela inclinação, mas sim pelo comprimento, 1200 metros de subida. Mortal, o ritmo despencou. Nada bom para o psicológico ver o pace 20 segundos acima do objetivo. Mas não me deixei abalar, uma hora vem uma descida e a gente alarga a passada.

Subida ficando pra trás um pouco depois do quilômetro 5, e o resumo dessa metade da prova eram 27 segundos devendo (pace de 5:06 min/km), hora de recuperar o ritmo. Mesmo com a descida nesse trecho o Gustavo me alertou pra manter o controle, era perigoso soltar muito e diminuir muito o pace, poderia “quebrar”.

Passada firme, postura correta e nada de quebrar. Até aquele momento tudo sob controle. Após uns bons metros no plano e já era possível avistar a outra subida. Essa agora, ao contrário da anterior, curta e com uma inclinação forte. O Gustavo estava visivelmente preocupado com esta, já havia comentado dela antes do início da prova, mas eu estava confiante.

Encarei essa subida com força. Pensei em outras subidas piores pelas quais já havia passado e fui pra cima. Isso ajudou muito, subimos com um ritmo muito bom. Com direito a uma breve comemoração lá em cima. Agora era só o psicológico que deveria ser mantido. As pernas já tinham feito o que estava ao alcance delas. Foco no ritmo, não era hora de deixar cair. Mas deixei, não consegui.

Esse foi o pior momento da prova. A famosa dor de lado tinha me pegado. E forte dessa vez. Tentando controlar a respiração deixei o ritmo diminuir. Tudo o que eu não queria era um relógio pra ver meu pace. Tudo que eu precisava era de ar, muito ar. O trecho era plano, o que aumentava a minha revolta. Foi dificil recuperar. Veio uma descida, muito bem vinda. Recuperei um pouco o ritmo, mas não consegui perceber se estava abaixo dos 5:00 min/km.

Alguns metros a frente estava a última subida da prova. Pra ajudar, estávamos muito perto do Junior, que corria com o mesmo objetivo que eu. O detalhe é que ele não estava treinando como eu. Aquilo foi como uma injeção de adrenalina. “Vamos atropelar” falava o treinador. E assim foi, aumentei o ritmo, na verdade voltei ao ritmo certo e foquei no objetivo. Atropelar mesmo não rolou, mas ficamos lado a lado por quase 2 kms (foto no topo da página). Aliás, se não fosse a nossa chegada ao lado dele e incentivo do coach, ele teria desistido (palavras do próprio logo após a prova).

Passamos a subida e pegamos novamente a Vitor Ferreira, dessa vez no sentido oposto. Nessa parte da corrida eu só queria chegar abaixo dos 50 minutos. Já havíamos cruzado o quilômetro 7, a placa do 8 já podia ser avistada. Acelera, só pensava nisso. E acelerei muito, muito mesmo. Os dois últimos quilômetros foram memoráveis, virando pra 4:40 min/km. “Muito bom, excelente” nas palavras do treinador.

Chegando perto do final da prova fiquei sabendo que talvez o percurso não tivesse 10 km certinho (ou o Garmin poderia “comer” aqueles 2% do percurso que pode acontecer). O Gustavo falou que caso isso acontecesse continuaríamos correndo. Aí eu xinguei, acho que foi o ácido lático que falou por mim. Depois da linha de chegada das provas é sempre uma confusão, gente amarrando o tênis, alongando, pegando medalha,
água e etc. Como poderíamos continuar correndo no meio daquele monte de corredores?

Passamos pela linha de chegada (já me senti vitorioso com o tempo de 48min 53seg) e continuamos, desviando de varios corredores. Posso dizer que foi tipo um pega ladrão, dois caras correndo no meio de um pessoal
caminhando e conversando. Uns 100 metros depois da chegada o Gustavo parou, tinha muita gente. Parou o relógio. Emoção, nervosismo e curiosidade, tudo junto. Será que consegui? Correr eu tinha corrido feito louco, mas estava sem relógio, não sabia o tempo final, distância, ritmo, nada. Foram 49:13, o suficiênte pra ficar abaixo dos 50:00. Aperto de mão, alguns tapas nas costas e boa, eu sou o campeão hoje! Fiquei feliz, mas ainda não era o final de verdade, só fiquei sabendo disso depois. Peguei uma água, a medalha e fui amarrar o tênis. O Gustavo encontrou alguém no caminho e trocou algumas palavras. Logo em seguida nos esbarramos de novo e aí veio a notícia, “Ei, ainda não deu 10 km, faltam 50 metros!”. “ P***, sério?”. Perto do que foi a prova, aquele último tiro até que foi fácil. Corremos mais um pouco até o Garmim apitar de novo. Fim de prova. Objetivo cumprido. Felicidade a flor da pele. 10 quilômetros em 49:25. Depois foi só festa, e na segunda, já começaram os treinos pra meia-maratona. Keep Running!”

G5 Esportes! #Corrida

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2 comentários em “Léo sub50 nos 10km”

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